Bolsonaro e Silvio falam de aposentadoria, ‘faroeste’ de armas e sexo sem ‘aditivo’

Em um bate-papo animado que durou mais de 30 minutos, o presidente Jair Bolsonaro participou do programa Silvio Santos transmitido neste domingo (5) para defender a reforma da Previdência, principal pauta deste início de seu governo. Questionado por Silvio sobre liberação de armas e o consequente “faroeste” no Brasil, o presidente enfatizou projetos de seu governo para endurecer o combate à criminalidade no País.

O convite do SBT visava a esclarecer a mudança no sistema de aposentadorias que o governo Bolsonaro busca aprovar no Congresso Nacional. “Temos alguns estados em que falta dinheiro para pagar não só aposentados, mas os servidores ativos”, afirmou o presidente. “No Rio, o 13º salário dos servidores só foi pago agora.”

A seguir, os principais trechos da conversa:

Ser presidente

Silvio: Ninguém conhecia você. Você apareceu e ganhou; tem sorte.

Bolsonaro: Ser presidente é ter sorte, Silvio? [risos] É tanto problema…

Silvio: Conversei com Collor, Sarney, com quase todos. Todos dizem que trabalha-se muito.

Bolsonaro: Entendo como missão de Deus. Não convenci ninguém a votar em mim pelo poder econômico nem pela pressão dos meios de comunicação.

Reforma da Previdência

Bolsonaro: Essa reforma é para ajudar os pobres. O pobre não tem lobby. Gastamos R$ 750 bilhões por ano com aposentadoria. A diferença cada vez aumenta mais porque nós estamos vivendo mais.

Silvio: Verdade. No meu tempo de garoto, 60 anos era velho demais… Quando o Brasil não tiver mais dinheiro, duvido que não vai dar dinheiro para aposentado. Aí vai imprimir dinheiro e entra a inflação.

Bolsonaro: Queremos garantir a aposentadoria para futuras gerações. Hoje, para você ter ideia, temos alguns estados em que falta dinheiro para pagar não só aposentados, mas os servidores ativos. No Rio, o 13º salário dos servidores só foi pago agora… Quem vai querer abrir fábrica, produzir alguma coisa, se não vai ter ninguém aqui pra comprar seu produto porque não tem dinheiro? A maioria está convencida de que tem de aprovar a reforma. Par alguns setores, não.

Armas de Fogo

Silvio: Você quer liberar as armas? Isso vai virar um faroeste.

Bolsonaro [risos]: Nos Estados Unidos, pode. Lá, não tem tiroteio.

Silvio: Aqui é piada as penas para os criminosos, quase não ficam na cadeia.

Bolsonaro: Tem projeto do [Sérgio] Moro [ministro da Justiça] para endurecer penas de criminosos com requintes de crueldade e projetos para dificultar a progressão de pena. Nós facilitamos posse de arma de fogo. Cabia a mim regulamentar com decreto. O porte de arma depende do Parlamento.

Silvio: Posse, então, se ouvir barulhinho na minha casa, vou poder sair com arma? Ah, sim.

Bolsonaro: Começamos a nos entender.

Sexo ‘sem aditivo’

Silvio: Quantos filhos você tem? 3?

Bolsonaro: Tenho 5: Flávio, Carlos, Eduardo, Renan e Laura, que tem 8 anos.

Silvio: A menina que tem 8 não dá trabalho?

Bolsonaro: Não, mas mais uns 5 ou 6 anos ela vai dar trabalho.

Silvio: O único problema é que quando você passeia com ela, falam: “olha o vovô com a neta”.

Bolsonaro: Já falaram isso, sim. Mas ela é uma prova de que estou na ativa sem aditivos [risos].

Silvio: Mudou de nome? Agora é aditivo? Isso é conversa fiada…

Rotina

Bolsonaro: Sempre saio da residência oficial às 8 da manhã e chego no Palácio do Planalto às 8h10. Mas acordo às 5h da manhã, já estou no zap.

Facada

Silvio: Até hoje tem sequelas da facada?

Bolsonaro: Não sinto, mas o abdome ficou cortado. Não estou conseguindo fazer o esporte que eu fazia.

Silvio: Mas a gente te olhava mais abatido…

Bolsonaro: Eu perdi 2 litros e meio de sangue, fiz 3 cirurgias bastante complicadas e fiquei 4 meses com a bolsa de colostomia.

Silvio: Você usava para ir ao banheiro?

Bolsonaro: Aquilo era meu banheiro. Eu tô no banheiro 24 horas por dia…

Mais cedo, o Palácio do Planalto chegou a promover a entrevista de Bolsonaro a Silvio: “programa imperdível”.

06/05/2019