Após 32 anos, sobrevivente relembra maior tragédia da mineração brasileira

Explosão de mina em SC matou 31 mineiros em setembro de 1984.
‘Nós estávamos ali embaixo, a minha lanterna voou longe’, conta homem

sergio

“Me lembro de como a gente desceu brincando. Todo mundo falava do pagamento, que ia sair ao meio-dia. Uns iam levar embora, outros iam fazer compras”. Aos 54 anos, o engenheiro e ex-mineiro Sérgio Luiz Maccari ainda se lembra de como começou a manhã daquele 10 de setembro de 1984, nos minutos que antecederam a maior tragédia da mineração brasileira.

Pouco depois do início dos trabalhos, uma explosão na mina Santana, em Urussanga, no Sul do estado, matou 31 mineiros (relembre o acidente no vídeo abaixo). O acidente completou 32 anos neste sábado (10).

Acompanhado da equipe da RBS TV, o sobrevivente voltou ao local onde funcionava a mina, hoje coberto por mato. “Não vou dizer que não mexe. Mexe. Começa a te lembrar daquilo ali. É profundo”, diz Sérgio.

“É como dar um mergulho. Você sente aquela pressão no ouvido, em seguida veio aquele deslocamento de ar que arremessou muita gente. Nós estávamos ali embaixo, a minha lanterna voou longe, eu caí pro lado, as pessoas foram deslocadas pelo vento”, lembra.

“Onde ocorreu a explosão não deu para tirar ninguém com vida. Amigos, companheiros, só na lembrança, agora”

Sérgio estava a poucos metros do painel 6, onde aconteceu a explosão. Até a chegada das equipes de resgate, foram os próprios mineiros que ajudaram a socorrer os colegas.

Intoxicação
“A gente se uniu para tentar entrar e tirar [as pessoas do local]. E nessa, muita gente se intoxicou, eu me intoxiquei. Nós tivemos que parar os trabalhos, refazer os tapumes, para depois começar a entrar”.

Ele se emociona ao lembrar dos antigos companheiros. “Onde ocorreu a explosão não deu para tirar ninguém com vida. Amigos, companheiros, só na lembrança, agora. Eu tinha amigos de infância”.

Sérgio seguiu em frente. Casou-se com a namorada que tinha naquela época e teve dois filhos – um deles trabalha com mineração. “O acidente me diz que a vida é um sopro. Isso me fez amadurecer muito e pensar que a gente tem que aproveitar os momentos da vida sempre fazendo o bem”.

g1

11/09/16