Depois de brilhar na abertura da Olimpíada, Thawan Lucas sonha ser coreógrafo

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Ele não para. Depois de encantar o mundo com muito samba no pé durante a cerimônia de abertura da Olimpíada, o menino Thawan Lucas da Trindade, de 8 anos, quer se tornar coreógrafo. E para isso, o morador da Vila Kennedy, comunidade da Zona Oeste do Rio, já trabalha duro: faz aulas de samba, capoeira, jongo e danças africanas. Mas brinca muito também.

— O que eu mais gosto de fazer é brincar de pique-pega e sambar — sentencia o pequeno notável.

Antes mesmo de se apresentar no Maracanã, o menino já era tietado nos bastidores: ninguém menos que a top model Gisele Bündchen pediu para tirar foto com ele, assim como a cantora Anitta. No dia seguinte à transmissão da abertura, ele é tratado como estrela na comunidade: vizinhos, amigos e parentes se revezam para tirar selfies e fazer vídeos. Três emissoras de TV e alguns jornais, incluindo um britânico, já pediram entrevista com o menino prodígio.

— Ele já até deu autógrafo para um dos nossos tios — contou o irmão, Thalisson Lucas, de 16 anos.

Como os pais trabalham o dia inteiro, é a avó quem mais passa tempo com Thawan. Dona Solimar Ramos, de 56 anos, é quem cuida de sua alimentação e da incipiente carreira artística do neto, a ponto de deixar ciúmes em outros familiares. Na noite de sexta-feira, enquanto esteve num camarote, assistindo ao neto dançar, Solimar não aguentou o choro e acabou levando até os seguranças aos prantos.

— Eu falei “gente, eles deveriam me abraçar, para me dar forças, mas estão chorando também”.

Com dois filhos e treze netos, Solimar é uma matriarca despojada: adora reunir a família para um churrasco ou uma feijoada, como a que promoveu neste sábado, regada a muita cerveja. Emocionada, a avó coruja descreve o principal desejo para o neto:

— Eu só espero que ele seja uma pessoa do bem. O que ele faz é de coração.

A mãe, Fernanda Ramos, contou que a família toda se reuniu diante da TV para assistir ao filho na cerimônia. Ela confessa que tem esperança de que o talento abra muitas portas para o caçula.

— Qualquer oportunidade que a gente tem, a gente precisa aproveitar. Mesmo que ele não vá, futuramente, dançar, ou seja, escolha fazer outra coisa, tudo isso terá sido válido.

E como se não bastasse ser um talento na dança, Thawan ainda é um aluno exemplar. ELe cursa o terceiro ano do Ensino Fundamental no Centro Educacional Mattos Cavalcante, no mesmo bairro onde mora. Este ano, conta a orgulhosa avó, a menor nota que tirou na escola foi 85.

— E ele tirou 100 em Matemática. Quando ele tira menos, ele promete “vó, até o final do ano eu vou tirar 100 em tudo”.

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Se o samba no pé e as notas boas já deixam qualquer um com vontade de levá-lo para a casa, a avó ainda acrescenta:

— E ele ainda é um menino que não dá trabalho para comer. Come todas as verduras. Ele adora agrião, por exemplo. Pega um pratinho separado, coloca agrião, azeite, sal e come.

Integrantes da Mangueira tiram o chapéu

A convite do EXTRA, Thawan posou para fotos com ritmistas e uma das passistas na quadra da Mangueira, sua escola do coração. Foi lá, inclusive, que o samba do menino brilou durante a feijoada do mÊs passado, no dia 9.

— Foi quando eu já percebi o talento dele. Para a idade dele, o nível de samba é muito avançado. Ele tem um nível como o de um dançarino de uns 14 anos — conta um dos diretores da escola, Ubiranei de Oliveira, de 31 anos.

Há mais de dez anos na escola, a passista Jéssica Santos, de 23 anos, ficou impressionada com o samba do menino:

— Ele é um fofo. Estou apaixonada. Ele é talentoso, carismático e determinado. É uma criança que sabe o que quer. É um dom, né. Não tem jeito. Nasceu para isso.

EXTRA