Homem segura faixa na Fernandes Lima para pedir emprego

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Sábado, dia 16, 6h50. Um homem parado no canteiro central da Avenida Fernandes Lima, no bairro do Farol, em Maceió, chama atenção de quem passa pelo local em direção aos seus destinos. Ele segura uma faixa com a inscrição “Preciso trabalhar”.

A faixa, uma espécie de mini currículo, traz um apelo. Informa que ele está desempregado há um ano e que tem experiência em telefonia predial e cursos nas áreas de vigilância e serviços gerais.

Seu nome é Samuel de Oliveira, 48 anos. Ele contou ao TNH1 que a iniciativa foi motivada por uma reportagem da TV Record, que mostrou que a prática de “anunciar” o pedido de emprego segurando faixas em locais movimentados da cidade já ficou comum em grandes capitais do país, como São Paulo e Recife, com altos índices de desemprego.

Sem trabalhar há um ano e sem ter mais ideia de quantos currículos já distribuiu em Maceió, ele resolveu tentar. “É a primeira vez que venho. Acho que aqui as pessoas nunca viram isso. Muitos param, observam, mas até agora ninguém veio falar comigo”, contou, por volta das 8h.

Samuel diz que trabalhava com telefonia predial desde 1994, até ser demitido sob o argumento de que a crise econômica atingiu a empresa onde era empregado. Desde então, ele já fez o curso de vigilante e de serviços gerais e conta que distribuiu currículos em empresas de segurança, mas não foi chamado para nenhuma.

Em casa, a esposa agora é quem arca com os gastos da família. Eles têm três filhos, de 10, 16 e 19 anos, que já estudam em escola pública. Para evitar endividamento, a família reduziu as compras de supermercado e o lazer.

“A minha esposa trabalha e ajuda muito, mas de vez em quando ouço uma piadinha por estar parado”, revela.

E faz um apelo: “Se alguém se sensibilizar com a minha força de vontade para trabalhar e me oferecer uma oportunidade, eu agradeço”.

Se Samuel vai conseguir emprego, não dá para dizer, mas a iniciativa já sensibilizou as pessoas. “Ele é um guerreiro por estar aqui em busca de um trabalho”, disse um motorista à reportagem.
TNH1