Nova molécula pode mudar o futuro do tratamento de esclerose múltipla

A inovação traz esperança para pacientes que lutam contra a doença

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Estudos apresentados no Congresso Brasileiro de Neurologia, maior evento da área no Brasil, podem mudar bastante a perspectiva de tratamento da esclerose múltipla, uma doença neurológica, degenerativa crônica e sem cura, que atinge principalmente mulheres e tem o inicio dos sintomas entre os 20 e 40 anos.

A molécula ocrelizumabe, pesquisada em diversos países ao longo de três anos, inclusive no Brasil, que tem potencial para reduzir a atividade clínica e progressão da doença destaca-se como o primeiro tratamento a demonstrar efetividade no controle da progressão da esclerose múltipla progressiva primária, que afeta cerca de 10 a 15% dos diagnosticados pela doença.

A esclerose múltipla é uma doença considerada autoimune onde o sistema imunológico do paciente ataca as proteções que cobrem os nervos e podem se manifestar a partir de surtos ou de forma progressiva.

Os pesquisadores acreditam que o ocrelizumabe têm potencial para ser um tratamento inovador, pois, atua nos linfócitos B, com o objetivo de bloquear a agressão sobre o sistema nervoso central dos pacientes.

Para o neurologista, Jefferson Becker, presidente do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla e Doenças Neuroimunológicas (BCTRIMS), os resultados traçam uma nova forma de controlar a doença e, por isso, traz esperança tanto para os pacientes, quanto para a classe médica.

“O novo medicamento resultará em um grande avanço aos pacientes e uma opção aos médicos para o retardo do quadro clínico em uma doença tão grave, principalmente nos quadros progressivos que até então não tinha tratamento disponível ”, reforça o especialista.

O estudo, que acompanhou mais de 3 mil portadores da doença no mundo, contou com a contribuição de pacientes brasileiros para a fase III da pesquisa clínica, etapa que investiga efeitos e evidências do medicamento em seres humanos.

No Brasil, a doença é considerada rara, atingindo em média entre 15 a 18 brasileiros a cada 100 mil habitantes, na região Sudeste. Os sintomas mais relatados são: falta de equilíbrio e coordenação motora, perda de força muscular, fadiga, problemas de visão. Outros pontos de atenção são que as pessoas com esclerose múltipla são três vezes mais suscetíveis a ter depressão e podem apresentar o dobro de dificuldade para dormir.

Atualmente, o ocrelizumabe ainda está em fase de estudo, porém, foi o primeiro tratamento da doença a receber o Breakthrough Therapy Designation, da FDA (Food and Drug Administration). A expectativa da classe médica é que a molécula biológica chegue no Brasil, o quanto antes.

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18/09/16