Os judocas do Congo que eram presos em jaulas e hoje sonham com medalha no Rio

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“Passei fome tantas vezes que me acostumei”, diz Yolande.

Quando crianças – ela aos dez anos de idade, ele, aos sete -, os dois deixaram suas casas sem olhar para trás. Moradores da região do Bukavu, área fronteiriça com Ruanda, eles sobreviveram à sanguinária guerra civil congolesa, que dexou cerca de 6 milhões de mortos e mais de 500 mil refugiados.

“Eu, criança pequena, voltei da escola e saí na rua pra brincar. E nunca mais voltei pra casa”, lembra Yolande, que não teve, desde então, notícias de sua família.

Popole fugiu para a floresta. “Comia frutas”. Acabou resgatado e levado a um centro para crianças refugiadas, na capital Kinshasa. Ali, conheceu Yolande, quando ambos começaram a praticar judô.

Campeões em seu país, começaram a viajar com a seleção nacional.

“Quando vencíamos, ganhávamos algum dinheiro. Quando perdíamos, nos colocavam numa jaula”, relembra Yolande.

Já no Rio, ao deixarem o hotel, foram ajudados por angolanos e congoleses que os levaram para a região de Brás de Pina.

Popole logo foi apelidado pelos vizinhos de Cinco Bocas de Popó. Conheceu a brasileira Fabiana e teve um filho. Yolande ainda luta para conseguir um lugar para morar.

A ajuda mais concreta que receberam foi do Instituto Reação, do ex-judoca e medalhista Flávio Canto.

“Além de treinamento, nós temos uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e preparador físico. Eles têm uma cesta básica e um kimono”, lista o treinador Geraldo Bernardes, quatro vezes à frente da equipe olímpica brasileira e responsável pelas atividades no Reação.

Geraldo reconhece que as chances de medalha dos dois atletas não são grandes, mas se diz confiante.

“Técnico que é técnico tem que acreditar nas coisas improváveis.”

ig

29/07/16