Pintor dirige Maverick GT 1977 “dodói”, com soro e curativos na lataria

Carro foi presente do filho, que tem outro modelo, ano 1978 e placa preta. Por pressão da sogra, ele teve de vender o primeiro veículo para casar.

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Aos 17 anos, o pintor automotivo Jorge Pereira Gomes comprou seu primeiro carro, um Maverick 1978 na cor prata. Neste ano ele ganhou duas paixões, uma pelo veículo e outra pela esposa, Sônia Gomes, 55 anos, com quem está casado até hoje. Mas como não dá para ter tudo na vida, parte da alegria dele ruiu por pressão da então futura sogra. Ele precisava dar uma prova de amor para se casar: vender o Maverick para comprar um apartamento. E assim aconteceu.

Hoje, ele dirige um modelo GT 1977, mas que tem suporte para soro, caixa de primeiros socorros e curativos. “Enganei ela [Sônia] direitinho, mas por pouco tempo. Ela me perguntava se eu tinha poupança e eu falava que sim, mas gastava todo o dinheiro no carro. De certa forma, aquele primeiro Maverick acabou sendo minha poupança para casar. Não fizemos festa, nem lua de mel, mas conseguimos dar entrada no nosso apartamento”, disse Gomes, que hoje tem 51 anos.

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A paixão por Maverick passou para o DNA do filho mais velho, que acabou comprando um modelo Deluxe 1978, na cor branca. “É todo original e tem placa preta. Como meu filho achou que não seria legal só ele ter um Maverick, quando teve condição financeira acabou comprando outro e me deu de presente, em 2012. Mas ele precisa de restauro”, afirmou Gomes.

Bem humorado, o pintor chama a atenção por onde passa com o Maverick, mas por alguns detalhes que não são originais de fábrica. O primeiro são os adesivos que simulam curativos e que estão espalhados pela lataria do ‘muscle car’, o segundo é que ele adaptou um suporte típico de hospital para aplicação de soro fisiológico em pacientes ‘humanos’. O adereço está no banco do passageiro e conectado ao capô.

“Fiz isso para tirar esse carro do coma, da UTI. Ele precisa de reparos na funilaria, no painel, estofamentos, fiação elétrica e outras coisas”, disse o pintor.

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“Pomada para ferrugem”
Além do soro e dos curativos, Gomes carrega uma caixa de primeiros socorros sob o banco. “Aqui eu tenho uma ‘pomada’ que uso para cuidar dele todo dia. É uma pasta que coloco nas ferrugens da lataria. Depois espero secar e passo a lixa.”

Sem espaço em sua minúscula garagem, ele não consegue fazer a restauração como gostaria em seu carro. Ele quer pintar o Maverick com um vermelho perolizado, mas quer manter uma parte dele como está hoje. “Encontrei com Emerson Fittipaldi e pedi para ele autografar o capô. Fiz uma foto dele autografando meu carro e colei ao lado da assinatura dele.”

Paz mundial
Gomes usa o carro para conseguir assinaturas de artistas e celebridades em uma bola de futebol, que ele pretende doar para que seja leiloada por uma instituição que cuide de crianças com câncer. “Tenho assinaturas do jogador Kaká, dos cantores Leonardo, Daniel e outros artistas. Ainda espero conseguir a assinatura do Luciano Huck, Ivete Sangalo e do Rei Roberto Carlos”.

g1

31/07/16