Seca deve piorar e Rio Acre pode ficar abaixo de 1,25 m, dizem Bombeiros

Nesta sexta-feira (29), nível chegou a 1,49 metro, menor marca da história. Ano deve ter estiagem prolongada devido à falta de chuvas, disse o órgão.

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Após atingir 1,49 metro nesta sexta-feira (29), menor marca da história em Rio Branco, o Rio Acre deve sofrer ainda mais com a estiagem que atinge o estado, conforme previsões do Corpo de Bombeiros. O órgão acredita que, até setembro, o nível das águas deva ficar abaixo de 1,25 metro.

 “Temos um longo período de estiagem e sem previsão de chuvas. Infelizmente, estamos com 1,49 metro e para chegar a 1,25 metro temos apenas 24 centímetros. Se considerarmos que baixe 1 cm por dia e que ainda temos muitos dias, é totalmente possível que ultrapasse essa cota. É provável que aconteça durante setembro, quando o período é bem crítico”, afirma o major Cláudio Falcão do Corpo de Bombeiros.

A situação é completamente diferente daquela vivida pelos rio-branquenses no início do ano passado, quando o rio quebrou o recorde oposto, ao chegar à marca também histórica de 18,40 metros.

Naquela época, a cheia desabrigou milhares de pessoas e prejudicou o funcionamento das Estações de Tratamento (ETA), devido ao volume de água.

Estudo feito pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, divulgado na quinta-feira (28), estipulou que, com base nas cotas do mês, o rio deve atingir à marca de 1,26 metros no dia 7 de setembro deste ano.

O problema, segundo o Corpo de Bombeiros, é que existe pouca previsão de chuva também para outubro, mês em que normalmente tem início o período chuvoso na região amazônica.

Por isso, o órgão trabalha com a possibilidade de uma estiagem mais longa do que em outros anos.

“Normalmente, as chuvas começam no início de outubro e elas se intensificam na segunda quinzena do mês. Devido a essas mudanças climáticas que estamos sofrendo desde o ano passado, com a cheia histórica, é provável que não tenhamos chuvas antes de novembro. E, por isso, outubro seja também um mês seco”, explica Falcão.

A extensão do rio que abrange a capital acreana entrou o mês de julho deste ano com 1,92 metro e, a partir disso, passou a sofrer um decréscimo, com poucos dias de estabilidade, segundo o monitoramento diário feito pela Defesa Civil. A menor marca já registrada nos últimos 45 anos emRio Branco foi de 1,50 metro em setembro de 2011.

Chuvas no Acre
O estudo do Cemaden afirmou que a escassez de chuvas no estado acumula-se desde março deste ano e as previsões confirmam baixa probabilidade nas próximas duas semanas. Segundo órgão, o trimestre – agosto, setembro e outubro – deve ser de “elevada incerteza”, com chances de “baixa disponibilidade hídrica”.

Devido à escassez de chuvas, o Cemaden apontou que existem condições propícias para problemas de abastecimento de água para consumo; redução de produtividade agrícola e pastoril; aumento de incêndios florestais; e dificuldade de transporta hidroviário.

Abastecimento de água
Na tentativa de garantir a captação de água na capital acreana, o Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa) iniciou a instalação de uma terceira bomba de captação flutuante na Estação de Tratamento de Água (ETA II), com previsão de funcionamento a partir desta sexta-feira (29).

O diretor-presidente do órgão, Edvaldo Magalhães, afirmou que outros equipamentos já foram adquiridos e que devem ser instalados a partir do início de agosto. Ele garantiu que, com isso, a captação deve ocorrer sem problemas até a marca de 1,25 metro. O Depasa informou que um trabalho de fiscalização nas casas teve início na última segunda-feira (25) para evitar desperdício.

Questões naturais e ação humana
O pesquisador Foster Brown explica que, este ano, o Rio Acre sofreu efeitos do El Niño, que resultou na pouca quantidade de chuvas nos meses de janeiro, fevereiro ou março. Além disso, devido ao aumento da emissão de gás carbônico, a estimativa é que eventos naturais parecidos ocorram nos próximos anos.

“O gás carbônico segura a energia na atmosfera, por isso, a tendência é causar secas e chuvas mais fortes. Usando isso como base, podemos antecipar eventos mais extremos para o futuro, acrescentou Brown.

Seca do Rio Acre
O governador do Acre, Tião Viana, assinou um decreto de situação de emergência no último dia 7 deste mês por causa da seca do Rio Acre em Rio Branco. O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) e também dizia respeito a outras cidades acreanas, que também sofrem com a estiagem.

G1
30/07/16