Suspeita de matar filha grávida chega a fórum em maca e com rosto coberto

Alda Poggi, de 59 anos, passou por perícia para atestar sanidade. Professora está internada em ala psiquiátrica desde julho em Jaboticabal

Professora foi esfaqueada pela mãe enquanto dormia.
Professora foi esfaqueada pela mãe enquanto dormia.

A professora de música Alda Poggi, suspeita de matar a filha grávida e esfaquear o neto de 4 anos em junho deste ano em Ribeirão Preto (SP), passou por uma perícia na tarde desta quinta-feira (28) no Fórum da cidade.

Alda, que desde o início de julho é mantida em um hospital psiquiátrico em Jaboticabal (SP), chegou ao prédio da Justiça, no bairro Ribeirânia, em uma ambulância. Ela foi levada de maca ao interior e manteve o rosto coberto por uma toalha.

A Justiça de Ribeirão concedeu liberdade provisória a suspeita, vinculada à internação na ala psiquiátrica da unidade hospitalar. O caso é mantido em sigilo e a motivação do crime não foi divulgada pela polícia.

Saúde mental
O pedido para a perícia médica, que pode atestar se a professora tem ou não problemas psiquiátricos, partiu da defesa da suspeita. Segundo o advogado Daniel Rondi, a Justiça determinou um prazo de 15 dias para a elaboração do laudo. Ele não deu detalhes sobre o estado de saúde dela.

Os exames também foram solicitados pelo Ministério Público após recebimento do inquérito enviado pela Polícia Civil. O promotor Marcus Tulio Nicolino informou que o estado mental da professora é determinante para a investigação.

“A gente ainda não sabe se ela teve um surto psicótico, ou se premeditou o crime. É muito importante, antes de falarmos sobre a motivação, esclarecer qual a situação mental dela. Se ela é louca, se não é, se sofre de esquizofrenia, ou não”, disse.

Investigação
A Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na casa da família, onde o crime ocorreu. No local, os policiais apreenderam objetos e um galão com gasolina.

Segundo Nicolino, nos dois depoimentos prestados à polícia, Alda afirmou que não se lembra do dia do crime. O inquérito concluiu, porém, que horas antes de esfaquear a filha e o neto, a professora de música comprou combustível e as facas usadas – o material foi apreendido.

O MP também pediu à Polícia Civil uma busca na casa do vizinho da professora, que alegou ter evitado que ela se matasse após atacar a filha e o neto. De acordo com Nicolino, é necessário reconstituir o crime, por ser mais um elemento que pode esclarecer a suspeita de que Alda mantinha um relacionamento extraconjugal com o vizinho, e ainda se esse fato motivou, de alguma forma, o ataque.

Entenda o caso
Segundo a polícia, Alda esfaqueou a filha, a professora Ligia Poggi Pereira, de 30 anos, enquanto dormia. Em seguida, deu duas facadas no pescoço do neto e ligou para um vizinho, dizendo que também se mataria. Ele conseguiu evitar o suicídio, mas ficou ferido.

Ligia chegou a ser submetida a uma cesárea, mas ela e o bebê não resistiram. O marido dela estava em viagem à Itália.

A criança de 4 anos passou por cirurgia e ficou três dias internada na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE) até receber alta. Ela permanece sob os cuidados do pai e a família não se pronunciou sobre a tragédia.

A Polícia Civil decretou o sigilo das investigações, assim como a Justiça.

g1.globo

28/07/16